Estudo sobre a Jornada de Abraão
Desbravando fronteiras
O Senhor mandou que Abraão saísse da sua terra, da sua parentela e da casa do seu pai
(Gn 12.1).
Para cumprir essa chamada na vida de Abraão eram necessários:
* Ultrapassar suas fronteiras indo além dos limites conhecidos em busca da promessa divina;
* Coragem;
* Renuncia ou desprendimento;
* confiança em Deus;
* não se preocupar com que os outros fossem pensar;
* vencer o comodismo;
* Fé;
A peregrinação de Abraão, além ser um deslocamento geográfico, era também uma senda espiritual. Ele foi da Mesopotâmia até a terra prometida, e ali percorreu várias cidades. Vejamos seu itinerário desde o início: Ur dos Caldeus (Gn 11.31); Harã (Gn 11.31); Canaã (12.5); Na terra de Canaã, Abraão habitou em Siquém (12.6) e depois entre Betel e Ai (12.8); desceu ao Egito (12.10) e voltou, passando pelo Neguebe (13.1). Novamente em Canaã, estabeleceu-se entre Betel e Ai (13.3-4); Depois habitou em Hebrom (13.18; 18.1); no Neguebe, entre Cades e Sur (20.1); e em Gerar (20.1 a 21.34); Depois de ter ido ao monte Moriá (22), passou a morar em Berseba (22.19) e novamente no Neguebe (24.62).
Assim como Deus mandou que ele saísse de Ur, novas ordens foram dadas para que Abraão avançasse, mesmo quando ele parecia querer parar.
Disse Deus: “Levanta-te, percorre esta terra, no seu comprimento e na sua largura; porque a darei a ti.” (Gn 13.17).
No início da sua peregrinação, ele saiu de Ur e foi até Harã. Ali ficou morando até a morte do pai (At 7.4). Sair de Ur foi um progresso, mas Harã não era o destino final. Ainda que estivesse perto da terra prometida, ainda vivia no território babilônico. Não adianta estar perto de cumprir o propósito de Deus. Precisamos cumpri-lo de fato.
Abraão saiu sem saber para onde ia (Hb 11.8). Portanto, sua dependência de Deus era fator fundamental em sua vida. Durante sua trajetória, Abraão edificava altares, orava invocando o nome do Senhor, era respondido, recebia instruções, obedecia ordens, enfrentava novos desafios e tinha novas experiências. Esta é a normalidade da vida dos servos de Deus.
Para saber qual seria o próximo passo, Abraão precisava estar sempre sintonizado com o Senhor. Ele jamais poderia andar sozinho. Não poderia planejar seu próprio caminho, embora tenha feito isso quando desceu ao Egito. Deus nos quer sempre dependentes dele. Dependência cria vínculos, como acontece entre pais e filhos. Por isso, Abrão se tornou amigo de Deus (Tg 2.23).
Ampliando visão para receber o melhor de Deus
Quando Abraão saiu de Ur dos Caldeus, ele possuía um conhecimento bem limitado dos desígnios divinos. Conhecia a promessa da terra, mas não a terra da promessa. Não sabia o nome do lugar nem a localização. Tendo obedecido ao Senhor e caminhado muito, descobriu que se tratava de Canaã. Entretanto, ainda não conhecia a extensão da terra. Por isso Deus mandou que ele avançasse. É como se o Senhor dissesse: “Anda, Abraão. Minha bênção é muito maior do que o que você pode enxergar de onde você está”. O patriarca foi caminhando e descobrindo quão grande era a terra prometida.
“E disse o Senhor a Abrão, depois que Ló se apartou dele: Levanta agora os olhos, e olha desde o lugar onde estás, para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente. Porque toda esta terra que vês, te hei de dar a ti, e à tua descendência, para sempre.” (Gn 13.14).
Vejamos outro detalhe: Abraão sabia que Deus lhe prometera um filho, mas demorou para saber que esse filho nasceria de Sara (Gn 17.16). Precisou caminhar muito com Deus para descobrir cada aspecto do plano divino.
Abraão desejava apenas ter um filho, mas Deus logo disse que ele seria pai de uma nação (Gn 12.2). Já deve ter sido uma grande surpresa, mas ainda não era tudo. Andando com Deus, Abraão veio a saber, muito tempo depois, que seria pai de muitas nações (Gn 17.4). O conhecimento do propósito de Deus para a sua vida foi crescendo. O propósito de Deus para cada um de nós é bem maior do que aquilo que desejamos.
Erros cometidos por Abraão durante a sua peregrinação
1) Deus mandou que ele saísse da sua terra, do meio de sua parentela e da casa do seu pai. Abraão saiu levando o pai e o sobrinho Ló. Muitos querem andar com Deus, mas levam uma bagagem indevida. Levam práticas da velha vida. A primeira conseqüência é o atraso na caminhada. Abraão saiu de Ur dos Caldeus com destino a Canaã, mas parou numa cidade chamada Harã, e ali ficou morando até que o pai morresse. Só depois pôde continuar sua trajetória (At 7.4).
O fato de ter levado o sobrinho teve efeitos trágicos. Primeiro, foi a contenda entre os pastores de Abraão e Ló, de modo que tiveram que separar-se (Gn 13.7). Quando o sobrinho se vai, Deus fala novamente com Abraão (Gn 13.14). Depois, Ló foi viver em Sodoma, colocando a família para morar no meio da podridão pecaminosa (Gn 13.12). Em seguida, ocorreu uma guerra na região, Ló se tornou prisioneiro, e Abraão precisou intervir para livrá-lo (Gn 14). Deus destrói Sodoma e Gomorra, Ló precisa sair às pressas, deixando toda a sua riqueza (Gn 19). Talvez por isso, sua mulher tenha olhado para trás, tornando-se uma estátua de sal (Gn 19.26). Por último, as filhas de Ló têm relacionamento sexual com ele e geram dois filhos, dos quais surgiriam duas nações malditas: Amom e Moabe, inimigos de Israel (Gn 19.36-38).
2) Outro erro de Abraão foi descer ao Egito sem a orientação de Deus (Gn 12.10). Ele já estava morando em Canaã, mas, por causa da fome, foi à nação vizinha. Embora fosse a potência mundial na ocasião, aquela não era a terra prometida. Abraão saiu do caminho determinado por Deus, como fazem aqueles que se desviam, indo buscar no mundo o suprimento de alguma necessidade ou desejo. Desse modo, caem em armadilhas e no laço do passarinheiro.
As conseqüências foram terríveis. Abraão ocultou o fato de Sara ser sua esposa, e Faraó mandou buscá-la para o seu harém. Vemos como é importante que o casamento seja de conhecimento público. (Nada de esquecer a aliança em casa!).
O texto não diz que Faraó tenha chegado a possuí-la, mas é possível que isto tenha acontecido, pois não seria sem razão que o rei daria a Abraão bois, ovelhas, jumentos, camelos, servos e servas (Gn 12.16). O patriarca aumentou muito o seu patrimônio, mas nada disso seria suficiente para compensar tamanha desonra.
Deus enviou pragas sobre a casa de Faraó, de tal modo que ele desconfiou que alguma coisa estava muito errada. O rei tinha uma sensibilidade que hoje falta a muitas pessoas. Ele logo reconheceu o erro e mandou Sara embora, juntamente com Abraão. Atualmente, muitos artifícios e desculpas têm sido utilizados para perpetuar relacionamentos ilícitos. O pecado atrai a ira de Deus.
Passadas essas coisas, Abraão voltou a Canaã, de onde nunca deveria ter saído.
3) Parece que um dos presentes que Faraó deu a Abraão foi a serva Agar. Fato é que ela era egípcia. Deus havia prometido um filho a Abraão. Sara, sendo estéril, sugeriu que ele tivesse o filho com a escrava. E assim foi feito. O jugo desigual se estabeleceu e Ismael nasceu. Aquele foi um dos piores erros de Abraão. Ismael é a iniciativa humana no sentido de ajudar Deus, como se isso fosse necessário. Quando se trata de promessa, não há o que possamos fazer. Devemos apenas esperar. Abraão tomou a iniciativa e cometeu um grande equívoco.
Como conseqüência, podemos citar a expulsão de Agar e Ismael da casa de Abraão (Gn 21.14), a questão da herança entre Isaque e Ismael (Gn 21.10), e a discórdia entre os seus descendentes até o dia de hoje. Ismael era o primogênito, mas Isaque recebeu as honras e os bens (Gn 25.5).
A ida ao Egito trouxe mais problemas do que se poderia imaginar. Quem vai ao Egito traz lembranças de Faraó. Aquele que vai ao mundo satisfazer seus desejos, pode trazer marcas indesejáveis e indeléveis para toda a vida, prejudicando os filhos e toda a família.
Por quê Ismael não poderia ser o início da grande nação prometida por Deus? Porque ele era resultado da capacidade humana e não fruto do milagre. Deus escolheu, não apenas Abraão, mas também Sara. Deus escolheu, não apenas um homem, mas uma família. Se o Senhor puder usar um homem, ele usará, mas se a família estiver nas mãos de Deus, será ainda melhor. O filho da promessa nasceria de Sara, e não de uma mulher qualquer.
José Fernando, Joelma e Rebeca
apresentado na CRCR , 21 março 2010
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